Tinta de cabelo: perigos e cuidados

19 de dezembro de 2017
Tinta de cabelo: perigos e cuidados

A tinta de cabelo é usada por 26% dos brasileiros, no entanto, esconde algumas ameaças. Entenda quais são e saiba como usá-la sem correr riscos.

Desde o antigo Egito

Pintar os fios é costume antigo na história da humanidade. Arqueólogos já encontraram vestígios de henna – corante natural utilizado ainda hoje – nos cabelos de múmias egípcias com mais de 4 mil anos de idade. Graças aos avanços da química, as opções de tinta de cabelo se modernizaram, ganhando maior duração, variedade de cores e popularidade.

No Brasil

Um levantamento do Target Group Index, vinculado ao Ibope, indica que 26% da população usa tinta de cabelo, sendo que 85% desse público pertence ao sexo feminino, embora constantemente, a segurança desses produtos seja questionada pelo meio científico. Atualmente uma grande pesquisa feita na Finlândia tem levantado algumas questões.

Dados relevantes

Os pesquisadores da universidade de Helsinque analisaram dados de 6.600 mulheres com câncer de mama e 21.600 sem a doença. Cruzando  as informações, constataram que, entre as que pintavam o cabelo, havia um risco 23% maior de encarar um tumor. Segundo Sanna Heikkinen, epidemiologista  e coordenadora do trabalho, uma das hipóteses para explicar a relação está na contaminação de um dos compostos mais comuns das tinturas, a P-fenilenodiamina (PPD), por uma substância conhecida como 4-Aminobifenil (4-ABP). Isso aconteceria durante o processo de produção. Os  indícios são de que o 4-ABP causa mutações  no genoma humano, além de poder interferir em questões hormonais. Ademais, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer já o reconheceu como carcinogênico, isto é, um patrocinador de tumores.

Depois da menopausa

A cientista esclarece, porém, que o elo só foi observado em mulheres que passaram da menopausa, já que pessoas mais velhas tendem a acumular mais anos de uso das tinturas. Outra possibilidade é que elas tenham entrado em contato com compostos químicos mais pesados que eram empregados nesses cosméticos antes dos anos 1980. Embora o estudo finlandês não seja o primeiro a apontar uma possível ligação com o câncer, ainda não dá para afirmar com certeza uma relação de causa e efeito.

Aperfeiçoamento

Essas suspeitas servem para a indústria cosmética aperfeiçoar suas fórmulas, tanto que a tecnologia já permitiu aposentar diversas substâncias consideradas mais tóxicas.

Alergias

Ainda assim, o PPD é apontado como fator de problemas mais imediatos associados às tintas de cabelos, como alergias e irritações na pele. Os produtos podem provocar uma dermatite de contato, em que a pessoa sente dor e queimação na hora, e até mesmo uma dermatite alérgica, cuja reação pode acontecer dias depois e, inclusive, se espalhar pelo corpo.

Recomenda-se, portanto, atenção a sinais de coceira e descamação. Principalmente pessoas que fazem uso com frequência devem inspecionar regularmente o couro cabeludo, pois a região tem muitos vasinhos, e uma pequena ferida pode servir para ampliar a absorção dos compostos.

Tonalizantes

Como a tintura também está relacionada a fios mais secos, uma opção menos agressiva é recorrer aos tonalizantes. Ao contrário das tintas permanentes, estes possuem menos corantes e não ficam depositados no cabelo.

Para pessoas alérgicas, uma alternativa são as tinturas hipoalergênicas, que costumam vir livres do PPD.

Mais natural

Já as que buscam algo mais natural, a dica é utilizar a henna, que hoje traz mais possibilidades de cores, porém é preciso estar atento a sua qualidade e procedência.

Uma novidade na área é a coloração vegetal 100% natural – a primeira do gênero, feita com plantas indianas, foi lançada ano passado no Brasil. Como se vê, não faltam opções para quem não abre mão de colorir os fios. Com critério, dá para preservar os cabelos e a saúde.

Com segurança

Confira alguns conselhos para a tinta de cabelo não causar problemas:

Tempo ideal

Nunca exceda o período indicado para a permanência da tintura. Isso pode afetar os fios e o couro cabeludo.

Teste antes

Passe um pouco do produto em uma mecha e siga as instruções para verificar reações.

Respeite o prazo

O ideal é aguardar no mínimo duas semanas para pintar os cabelos novamente, mesmo que seja apenas a raiz.

Um por vez

Não faça mais de um procedimento no cabelo por dia, como alisar e tingir. Isso minimiza as agressões da região.

Com profissional

O risco de errar ao pintar os cabelos sozinho  é alto. Melhor fazer com o cabeleireiro.

Proteja o couro cabeludo

É preciso cuidado durante o procedimento, pois trata-se de uma região sensível por natureza. Produtos com silicone ajudam a resguardá-la.

Você pinta seus cabelos? Que tipo de tinta utiliza? Deixe seu comentário!

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